FLIP RECEBE AUTORES CHINESES PELA PRIMEIRA VEZ
De estilos literários diferentes, Ma Jian e Xinran possuem trajetórias semelhantes: ao escrever sobre as implicações políticas e sociais da repressão na China, os dois tiveram suas obras censuradas e optaram pelo exílio na Inglaterra, onde puderam publicá-las.
Considerado uma das mais importantes e corajosas vozes da literatura chinesa contemporânea, Ma Jian (1953, Qingdao, China) vive em Londres há 20 anos. No irônico The noodle maker (2004), explicitou as contradições resultantes da liberdade de mercado e da opressão política em seu país. Pequim em Coma (2008), seu romance mais recente,é narrado em primeira pessoa por uma vítima fictícia do massacre da Praça Tiananmen, a Praça da Paz Celestial, e será publicado no Brasil neste ano pela Record.
Interessada no universo feminino de seu país, Xinran Xue (1958, Pequim) criou, nos anos 80, um programa de rádio que durante oito anos firmou-se como via de expressão de mulheres chinesas, vítimas de violência. A reunião destes relatos deu origem a As boas mulheres da China, publicado em 2002.
Xinran integrou a equipe do The Guardian até 2008 e reuniu suas colunas publicadas naquele jornal em O que os chineses não comem (2006). Seu último livro, Testemunhas da China (2008), foi feito a partir de depoimentos de cidadãos chineses que, já idosos, relembraram os anos sob o governo de Mao Tse-tung, e será publicado neste ano pela Companhia das Letras.
A FLIP acontece de 1º a 05 de julho, em Paraty.