Informação à imprensa
07 de Julho de 2009
O novo livro de Atiq Rahimi, vencedor do Prêmio Goncourt 2008
e destaque da FLIP 2009, expõe
a delicada condição feminina em meio à tradição afegã
Evento promove três dias de debates literários
Syngué sabour : Pedra-de-paciência de Atiq Rahimi
Tradução do francês de Flávia Nascimento
152 páginas, 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-7448-153-1
Preço: R$ 30,00
Lançamento comercial: 08/06/2009
Noite de autógrafos e bate-papo com o autor
Dia 07 (terça-feira) - 19h às 21h
Livraria Martins Fontes
Avenida Paulista, 509 – loja 17
Tel. (11) 2167-9900
A obra
Depois de Terra e cinzas (2002) e As mil casas do sonho e do terror (2003), a Estação Liberdade lança Syngué Sabour, novo livro do aclamado escritor afegão, que levou de surpresa com esta obra o Prêmio Goncourt 2008. Em persa, syngué significa “pedra” e, sabour, “paciente”. Pedra paciente, a pedra-de-paciência.
A personagem central desta obra, uma mulher afegã, vela o marido — que vegeta em uma cama com uma bala alojada na cabeça. Os tempos são difíceis, na rua os tanques e as Kalashnikov atiram sem cessar, a guerra civil impera às portas da casa onde a mulher espera por um milagre. Enquanto isso, lentamente a mulher faz jorrarem de dentro de si as recordações há muito escondidas. Passa a narrar ao marido fatos que ele sempre ignorara. Como a syngué sabour da mitologia persa, a pedra negra que recebe dos peregrinos suas dores e lamentos, o homem prostrado ouve sua esposa. Ouve a extraordinária confissão da mulher, que segreda-lhe, de maneira inimaginável num país islâmico, tudo o que mantivera para si, soterrado sob uma espessa camada de tradição.
A ideia para a obra surgiu a partir de um episódio em que foi convidado para um evento literário em Cabul por uma amiga, a poeta Nadia Anjuman. Chegando lá, descobriu que a poeta estava morta, por “causas familiares”. Investigando, soube que Nadia havia sido espancada até a morte pelo próprio marido, com a conivência da mãe, pois eles discordavam de seu modo de vida.
A frase que abre o livro — “Em algum lugar do Afeganistão ou alhures” — já revela a proposta do autor de não particularizar sua obra no âmbito topográfico: é sobre cultura afegã, ou, mais precisamente, sobre a ortodoxia islâmica que o autor se debruça em Syngué sabour. Não por acaso anônimos, seus personagens fazem irromper as tensões de todo um povo, as mazelas de uma região ressentida de conflitos perenes, sem, no entanto, que se abdique da sutileza e do refinamento do detalhe.
Estilista da linguagem, cuja economia maneja com precisão, Rahimi conduz o leitor entre o lirismo e a contundência, entre o que é velado e o que se escancara, através dos conflitos políticos, religiosos e morais de um país em escombros. Esta obra, a primeira que ele escreveu diretamente em francês, conquistou o Prêmio Goncourt de 2008 e consolida o autor afegão como um dos grandes nomes da literatura trans-étnica deste início de século XXI. O júri que atribui o Goncourt para Syngué sabour era composto por: Tahar Ben Jelloun, Françoise Chandernargor, Edmonde Charles-Roux, Didier Decoin, Françoise Mallet-Joris, Bernard Pivot, Patrick Rambaud, Robert Sabatier, Jorge Semprun e Michel Tournier.
No dia seguinte a seu comunicado de agradecimento pelo prêmio, Rahimi emitiu outro contra a deportação de 50 compatriotas afegãos que seriam embarcados à força de Calais (França), no que teve sucesso, imbuído de nova autoridade como laureado do Goncourt.
O autor
Atiq Rahimi nasceu em Cabul, Afeganistão, em 1962. Estudou no liceu francês local e cursou letras na universidade da capital afegã, trabalhando em seguida como jornalista e frequentando a cena literária e artística local. Durante a guerra, no início da década de 1980, deixou o país rumo ao Paquistão, em jornada de oito dias a pé em pleno inverno. Obteve estatuto de refugiado político na França, onde vive desde 1985. Doutorou-se em comunicação audiovisual na Sorbonne. Paralelamente à carreira literária, Atiq Rahimi dirige e produz filmes documentários e de ficção.
Atiq fez em 2002 uma pequena tournée para o lançamento de Terra e cinzas no Brasil, passando por São Paulo, Rio e Brasília e obtendo sucesso de crítica e comercial (28.000 exs. vendidos no total). Em suas visitas ao Brasil, na Bienal do Livro de São Paulo (2002), na Primavera dos Livros do Rio de Janeiro (2004), sempre teve empatia com o público, sentindo-se muito à vontade apesar da barreira linguística. Em 2004, veio para o lançamento da versão cinematográfica de Terra e cinzas, filmada por ele mesmo e para a qual foi premiado no Festival de Cannes em 2004, na mostra “Um certo olhar”. Em 2005, publica Retour imaginaire, livro de fotos e poemas sobre seu reencontro com o Afeganistão.
Citações
“Venho de um país onde reina a poesia. Aprendemos a ler na escola com poemas. Ela alimenta cada momento da vida. Ela que me inspira essa busca de economia de palavras. Conseguir transmitir emoção com o mínimo possível de meios.” (Le Temps, 21/11/2008)
“Se tivesse escrito esse livro em persa, teria adotado uma linguagem pudica e praticado a auto-censura. Escrever em francês me permite realmente entrar no interior dos personagens, falar do corpo. Escrever numa outra língua é um prazer. É um pouco como fazer amor.” (L’Express, 13/11/2008)
“Falo das mulheres afegãs como de todas mulheres do mundo. Não faço distinção entre uma mulher afegã tolhida sob sua burca e as outras mulheres do mundo. As mulheres afegãs, como todas mulheres do mundo, têm desejos, sonhos e esperanças, com suas forças e também suas fraquezas.” (L’Humanité, 12/11/2008)
“Aprendi tudo com os poetas franceses, Rimbaud, Baudelaire, e com Marguerite Duras, a me libertar de tudo. (...) Parecia-me impossível criar emoção numa língua na qual não se gritou ou chorou, não se sofreu ou teve alegrias. (...) Para mim, minha língua materna, o persa, é a língua com a qual conheci o mundo, conheci meus tabus, minhas proibições, meus limites.” (da orelha de Syngué sabour)